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quarta-feira, 10 de março de 2010

BRASIL ENTRANDO NO PRIMEIRO MUNDO NA SPP-CID 10, G 14.

BRASIL NO PRIMEIRO MUNDO  SPP- CID 10, G 14

São Paulo, 25 (AE) - Por iniciativa de médicos pesquisadores brasileiros, o Brasil obteve a inclusão inédita junto ao Comitê Internacional de Classificação de Doenças da Organização Mundial de Saúde (OMS) de uma nova doença conhecida por Síndrome Pós-Poliomielite (SPP). A SPP é um transtorno neurológico caracterizado por nova fraqueza muscular e/ou fadiga muscular anormal em indivíduos que tiveram poliomielite aguda há décadas, normalmente quando crianças, motivo pelo qual é conhecida popularmente como "paralisia infantil".

A síndrome encontra-se na categoria das doenças do neurônio motor em virtude dos quadros clínico e histológico estarem intimamente relacionados com a disfunção dos neurônios motores inferiores. O Setor de Investigação de Doenças Neuromusculares da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), juntamente como o Centro de Prevenção e Controle de Doenças da COVISA/SMS-SP (CPCD/SP), solicitaram a inclusão da SPP no Código Internacional de Doenças, revisão 2010 (CID 10), após realizarem a documentação técnica da doença. O principal argumento baseou-se no fato da síndrome não ser uma sequela da poliomielite, mas uma nova doença que necessita de terapias específicas, diferentes daquelas empregadas para os pacientes com sequelas de poliomielite. A solicitação de inclusão foi aceita pela Organização Mundial de Saúde (OMS), e incluída a partir de 2010, dentro dos tópicos das doenças do neurônio motor - CID 10, G 14.
A primeira linha de pesquisa para conhecer as características clínicas da SPP na população brasileira foi iniciada em 2003, pelo fisioterapeuta Abrahão Augusto Juviniano Quadros, MsC e fisioterapeuta do ambulatório de SPP da UNIFESP. Ambulatório este, criado no mesmo ano para atender esses pacientes de forma multidisciplinar, com profissionais das áreas de neurologia, fisioterapia motora de solo e água, fisioterapia respiratória, nutrição, fonoaudiologia e psicologia.
Em 2004, os profissionais da UNIFESP, juntamente com o CPCD/SP, elaboraram o primeiro documento técnico da SPP. Três anos depois, com o avanço das pesquisas, foi publicado o manual "Síndrome Pós-Poliomielite (SPP): Orientações para os Profissionais de Saúde", elaborado pela mesma equipe, com a participação da Divisão de Doenças de Transmissão Hídrica e Alimentar do Centro de Vigilância Epidemiológica da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo, na busca da sedimentação e construção das abordagens coletadas ao longo dos anos.
Com o reconhecimento e a inclusão na revisão 2010 do CID, surgem importantes desdobramentos. Primeiro, a promoção e valoração da classe médica e do Brasil junto a OMS, onde o nosso país tem acento. Segundo, pelo fato do ineditismo e pioneirismo no que se refere à iniciativa do registro da nova doença, com reflexo para o mundo inteiro. Terceiro, em relação ao aspecto da garantia à saúde a todos os cidadãos - com a regularização da doença e atendimento digno não apenas no Sistema Único de Saúde mas, inclusive pelos planos de saúde - e ao avanço das pesquisas - proporcionando aos pacientes com a síndrome, alcançar uma melhor qualidade de vida. Quarto, a garantia e a construção dos direitos trabalhistas aos portadores da moléstia. Quinto, a possibilidade de ampliação das pesquisas tanto no que se refere à questão medicamentosa, quanto ao próprio tratamento. Sexto, a possibilidade de um tratamento focado não mais no encaminhamento para outra área da medicina como, por exemplo, a psiquiatria, quando da descrição dos sintomas e a não identificação exata da síndrome. Por fim, o sétimo desdobramento trás a possibilidade de o Estado direcionar ações específicas no trato da doença nos pacientes por estes se encontrarem revestidos de legitimidade.


Em continuidade a esse trabalho é de primordial importância que os profissionais estejam prontos a diagnosticar e tratar pacientes acometidos por essa nova doença. Para sua consecução o Ministério da Saúde oferece, atualmente, aos profissionais da área de saúde, curso de capacitação sobre a Síndrome, em parceria com UNIFESP, visando a multiplicação de profissionais aptos ao trato da doença.


Só buscando parcerias no cuidado aos pacientes acometidos pela Síndrome Pós-poliomielite é possível melhorar a qualidade de vida do indivíduo.

(*) Dr. Acary Souza Bulle de Oliveira é médico e professor doutor em Neurologia pela UNIFESP.

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