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terça-feira, 13 de setembro de 2011

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Sinais que ajudam a alfabetizar


Como os colegas também aprenderam a Libras, Endil (à frente) não teve problemas de adaptação. Foto: Multimídia.08/09/2011
Para receber aluno que não fala nem ouve, escola da Capital ensinou linguagem de surdos para todos os estudantes da turma


Quando uma escola municipal de Porto Alegre encarou o desafio de receber um aluno surdo, os professores tiveram receio de que isso traria uma dificuldade adicional às aulas do 1º ano do Ensino Fundamental. A estratégia de ensinar para toda a turma noções da língua de sinais, porém, se revelou uma dupla surpresa: além de facilitar a adaptação do estudante, melhorou o processo de alfabetização de todos os colegas. Hoje, os sinais estão nas portas de todas as salas e em cartazes do colégio Gilberto Jorge, na Zona Sul.

Surdo desde que foi vítima de uma meningite, com um ano e meio de idade, Endil Gabriel, hoje com oito anos, entrou no colégio ainda na pré-escola. No ano passado, foi encaminhado para um estabelecimento municipal dedicado a alunos surdos, mas problemas como a distância de casa o levaram a retornar para o Gilberto Jorge. Em razão disso, a instituição se esforça para se adaptar ao menino – e o resultado para toda a turma tem sido positivo, segundo os professores.

– Achamos que a situação do Endil seria um complicador, mas, para nossa surpresa, o ensino da língua de sinais para todo mundo melhorou o processo de alfabetização – comenta a professora Tânia de Almeida, 47 anos.

Outra educadora, Valéria Cé Guerisoli, 40 anos, afirma que a situação diferenciada do aluno levou à ideia de ensinar o alfabeto da Língua Brasileira de Sinais (Libras) para toda a turma. Como resultado, os alunos compreenderam de maneira mais concreta como as letras podem ser representadas de maneira gráfica (escrita) ou espacial (gestos). Assim, os educadores vislumbraram uma melhora no aproveitamento das lições e no interesse dos pequenos pelas aulas.

– O ensino de Libras despertou muito a curiosidade deles, que fazem os sinais até em casa, para os pais – conta Valéria.

O recurso tem facilitado até as aulas sobre números. Quando a professora pediu para um aluno escrever o número 23, ele hesitou em desenhar os dígitos no papel. Quando ela representou o número por meio de dois dedos apontados, e em seguida de outros três, ele entendeu como completar a tarefa. Outros exercícios combinam Libras e alfabetização tradicional.

Cada um inventou gesto que representa o nome
O trabalho de inclusão mudou o ambiente, o comportamento de alunos e professores na escola de 350 alunos da Capital e até levou à criação de nomes dos colegas em Libras.

Todos os cartazes são escritos em português e na língua dos sinais, pelo menos três professores já ingressaram em cursos de Libras, e o colégio conta com um estagiário que traduz sons em gestos para o estudante. A preocupação é tanta que cada colega escolheu para si um gesto que representa seu “nome” na língua dos sinais.

Assim, Endil pode se referir a eles por meio de um gesto simples, em vez de precisar representar o nome verdadeiro letra por letra. Uma menina, que acha seus olhos bonitos, escolheu para si o gesto de colocar a mão em forma de binóculo sobre um olho. Outro, que se considera um pouco bochechudo e torce para o Inter, escolheu o movimento de apontar um dedo para a bochecha e em seguida para o queixo (que significa “vermelho” na linguagem de sinais).

Segundo a educadora, o trabalho de adaptação de Endil, que durante dois dias da semana aperfeiçoa o aprendizado de Libras na escola municipal para surdos Salomão Watnick, foi facilitado pelo fato de ele e vários dos colegas serem moradores da vila localizada nos arredores e já serem amigos há vários anos.

Especialistas divergemApesar do exemplo de inclusão na escola da Capital, há controvérsia entre autoridades e especialistas sobre o melhor tipo de estabelecimento para estudantes que não ouvem.

O Ministério da Educação defende que surdos sejam matriculados em qualquer estabelecimento. Segundo a professora da Faculdade de Educação da UFRGS Luciana Piccoli, a combinação de alfabetização tradicional e em Libras em escolas convencionais justificaria a experiência de inclusão:

– Os alunos estão buscando conhecer como a língua se estrutura, como ela funciona, no contexto de um letramento que envolve múltiplas linguagens. Isso é muito positivo, tanto para crianças que são surdas, quanto para o resto da turma – acredita.

Porém, a doutora em Educação e especialista em educação de surdos Adriana Thoma sustenta que, como qualquer outra língua, a Libras deve ser aprendida em ambiente de imersão, ou seja, junto a outros surdos. Estudos, como um realizado recentemente pela Universidade de São Paulo (USP), demonstram que alunos de escolas específicas obtêm melhor desempenho. Mas ela acrescenta que os pais devem ter a opção de escolher.

– Uma língua só se constitui em um espaço comunitário, por isso a comunidade surda luta pela existência das chamadas escolas bilíngues – afirma Adriana.

marcelo.gonzatto@zerohora.com.br


Fonte: Zero Hora


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